O mestre Adrian Frutiger

Adrian Frutiger

Foto: FontShop

No dia 12 de setembro perdemos um dos tipógrafos mais influentes da história da tipografia, Adrian Frutiger. Univers, Avenir, Humanist, Glypha e Frutiger, só para citar algumas de suas brilhantes criações. Tipos, que assim como seu criador, fizeram história e estão presentes no nosso cotidiano. De teclados de computador a sinalização de aeroportos, as fontes de Frutiger se mostram versáteis e com personalidade.

UNIVERS

Teclado da Apple

Os teclados da Apple foram por muito tempo confeccionados com a Univers 57 Condensada Oblíqua, tipografia escolhida pela empresa Frog Design, e utilizada desde 1984 a partir do computador Apple IIc. A fonte itálica influenciou também no design do computador, que apresentava os botões do painel frontal inclinados de forma a combinar com a fonte escolhida. Depois de muitos anos a Univers foi substituída pela VAG Rounded, fonte utilizada desde 2003 em MacBooks e teclados Apple.

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Road system da Disney

A Walt Disney World também faz um uso extenso da Univers, encontrada nas placas de sinalização de seu sistema viário e também nas bilheterias do parque.

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ebay

Você deve ter percebido que o ebay recentemente apareceu com um novo logotipo, que segundo eles, reflete quem são hoje: “um mercado global on-line que oferece uma experiência mais limpa, contemporânea e consistente.” A fonte utilizada por eles continua sendo a Univers, presente também no logo anterior.

Por ela ter sido lançada quase ao mesmo tempo que a Helvetica, mas ser bem menos popular que ela, a Univers é uma ótima escolha para dar um ar de novo, recente, revigorado, moderno. O novo logotipo também aparece muito mais simples e elegante que o antigo, que apresentava a sobreposição de variações da Univers.

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Deutsche Bank

Talvez você não conheça, mas o Deutsche Bank é um banco alemão e um dos maiores do mundo, presente inclusive aqui no Brasil. A identidade visual criada pelo designer Anton Stankowski utiliza a fonte Univers em seu logotipo desde 1974.

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IBGE 

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – também faz utilização da fonte Univers, não apenas em seu logotipo (Univers Oblíqua) mas também em parte da sua identidade visual, utilizando a família Univers nas variações normal, negrito, normal itálico e negrito itálico.

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FRUTIGER

Sinalização de aeroportos

Adrian Frutiger foi contratado no início da década de 1970 para desenvolver o sistema de sinalização do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Na época ele já havia desenvolvido a Univers, mas preferiu criar uma fonte totalmente nova para a ocasião, que pudesse refletir a arquitetura contemporânea do aeroporto. O tipógrafo tinha uma missão: desenvolver uma fonte que fosse clara e concisa em paineis luminosos e em placas com fundo amarelo, que pudesse ser legível mesmo quando vista em ângulos diferentes, além de ser necessário que uma letra de 10 centímetros de altura fosse legível a 20 metros de distância. Deste projeto nasceu a Frutiger, considerada uma das melhores fontes para sinalização que existem, e por isso hoje é encontrada não só no aeroporto de Paris mas também em outros ao redor do mundo, como o JFK em Nova York, o de Frankfurt na Alemanha e o Schipol Amsterdam Airport na Holanda.

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Muse

Muitos reconhecem de longe o logotipo da famosa banda britânica Muse, mas o que quase ninguém sabe é que a fonte utilizada dela é nada mais nada menos que a Frutiger, mais precisamente a Frutiger 75 Black. A banda utiliza a logotipo desde 1998, apresentada pela primeira vez em seu EP self-titled.

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Filme O Terminal

A tipografia possui um papel importantíssimo no filme “O Terminal”, estrelado por Tom Hanks e dirigido por Steven Spielberg. O designer de produção Alex McDowell construiu em um hangar abandonado um terminal temporário especialmente para o filme. Para a sinalização do aeroporto, ele chamou o designer holandês Paul Mijksenaar para colocar em prática seu sistema de sinalização desenvolvido por ele, e que também é encontrado nos aeroportos JFK, LaGuardia e Newark em Nova York, e no aeroporto Schiphol em Amsterdam. Mijksenaar escolheu a fonte que ele utilizou em Amsterdam e Nova York: a Frutiger, que também foi utilizada no Charles de Gaulle.

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OCR-B

Fonte OCR para Cartões de Crédito e Códigos de barra

A OCR-B não é tão famosa como a Univers ou a Frutiger, mas é tão importante quanto elas. Isso porque foi criada para ser lida por sistemas OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres), tecnologia que permite computadores extraírem texto digital de imagens, para identificar endereços de cartas, texto de livros antigos, entre outros. O OCR é usado até em ferramentas de identificação de fontes, como o WhatTheFont do MyFonts, ao reconhecer quais letras aparecem nas imagens enviadas. Por isso, quanto mais distinto é um caractere dos outros, menor é a chance da máquina confundir formatos similares, como 3 e B, 1 e I.

font_OCR_pic03No início era usada a fonte OCR-A, criada pela American Type Founders, que tinha traços simples e espessura que permita fácil identificação dos caracteres, mas sua aparência era grosseira e não muito agradável aos olhos. Como uma “resposta europeia” a ela, Frutiger desenvolveu a OCR-B, uma fonte mono-espaçada (com largura fixa) capaz de manter a unidade em um alfabeto inteiro formado por caracteres únicos e distintos, e diferentes o suficiente para um computador interpretar com precisão mas sem sacrificar a integridade tipográfica agradável aos olhos humanos.

ocrb

A OCR-B é considerada padrão mundial desde 1973 e é amplamente utilizada nos dígitos de códigos de barra, cheques e cartões de crédito.

Com certeza não conseguimos incluir neste post todas as contribuições de Frutiger para a história recente da Tipografia. Mas sim dar uma amostra da sua importância.

Como definir o trabalho deste gênio? Nada melhor do que uma frase do próprio Frutiger.

“From all these experiences the most important thing I have learned is that legibility and beauty stand close together and that type design, in its restraint, should be only felt but not perceived by the reader.” Adrian Frutiger

“De todas estas experiências, a coisa mais importante que aprendi é que legibilidade e beleza permanecem juntas e que o design de tipos, em sua restrição, deve ser apenas sentido mas não percebido pelo leitor.”

Referências

GARFIELD, Simon. Just My Type: a book about fonts. New York: Gotham Books, 2011.
http://apple.wikia.com/wiki/Apple_typography
http://mickeyavenue.com/fonts/disney-fonts-list/
http://www.spielberg-ocr.com/stationary.html
http://fontsinuse.com/uses/2119/new-ebay-logo
http://hansstol.totaldesign.nl/en/db.html
http://www.thelogofactory.com/logo_blog/muse-logo-font-12-monkeys/
https://myfonts.wordpress.com/2006/09/18/typographic-abbreviations-series-1-ocr/
https://typewritingblog.wordpress.com/tag/ocr-b/
http://www.blogartesvisuales.net/diseno-grafico/ocr-tipografias-ocr-a-y-ocr-b/

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