Tipografia Social?

Hoje, mais do que nunca, fala-se em Design Social, a importância de inserir o processo do design em ações do dia a dia de modo a mudar hábitos, situações e comunidades. Nas palavras de Bonsiepe (2011),

O designer que trabalha profissionalmente, aplicando as ferramentas disponíveis, acha-se frente ao desafio de traduzir sua postura contra o status quo em uma proposta projetual viável. Em outras palavras, cabe ao designer intervir na realidade com atos projetuais, superando as dificuldades e não se contentando apenas com uma postura crítica frente à realidade e persistindo nessa posição. Afinal, projetar, introduzindo as mudanças necessárias, significa ter a predisposição para mudar a realidade sem se distanciar dela.

Dentro da tipografia já se falava há muito tempo em mudar a realidade. “Me dê 26 soldados de chumbo e eu conquistarei o mundo” disse Gutenberg sobre sua invenção, e desde então ninguém pôde negar que ele estava certo. As tentativas e casos de censura de imprensa e o seu uso na defesa da liberdade são provas de que as palavras tem realmente o poder de mudar o mundo.

Se temos duas ferramentas capazes de mudar o mundo em nossas mãos, o que pode surgir da combinação das duas? Neste post trazemos uma coleção de projetos que respondem justamente a essa pergunta.

FONTYOU.

Com a chamada “Vamos imaginar tipografia social” e “Espírios criativos criam coisas boas” o FONTYOU convida você a criar e co-criar fontes. O site é a primeira ferramenta de criação colaborativa de typefaces, e surge na tentativa de unir aqueles que têm interesse e habilidade para desenhar tipos, mas não têm a técnica para transformá-las em fontes, e aqueles que tem o conhecimento, a técnica e o interesse para ajudar. O grupo já conta com mais de 50 famílias tipográficas feitas e 70 países envolvidos no processo.

Veja o vídeo de apresentação:

Homeless Fonts

O projeto Homeless Fonts (Fontes sem teto) foi criado pela fundação Arrels, cujo lema se traduz como “Ninguém dormindo nas ruas” e que busca auxiliar moradores de rua. A ideia do projeto foi de juntar designers e tipógrafos para transformar a caligrafia dos moradores de rua em fontes que pudessem ser comercializadas. O projeto conta com cinco fontes já feitas, que são vendidas com licenças pessoais e comerciais. O valor da venda das fontes volta para a fundação Arrels.

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Anna

Anna é uma tipografia desenhada por Anna Vives, uma estudante de 27 anos com Síndrome de Down, junto de um grupo de colaboradores. A ideia da fonte inicialmente era replicar a maneira de escrever da Anna, que mistura letras maiúsculas e minúsculas, mas acabou se tornando o símbolo de um trabalho em equipe que pôde superar barreiras do capacitismo. A fonte está disponível para download gratuito aqui.

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Dislexie

A fonte Dislexie surgiu com o intuito de facilitar a vida das pessoas que sofrem de dilexia, potencializando o poder de leitura dessas pessoas por meio da tipografia. A fonte se baseia em uma grotesque comum, com pequenas alterações que impediriam os leitores de confundir as letras e juntar frases. O projeto também acabou atingindo um objetivo maior, e serve para conscientizar e evitar a disseminação de preconceitos sobre a dislexia.

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Ecofont

Além de cara, a produção de tintas para impressora causa grande um impacto ambiental. O ecofont é um software que oferece uma solução simples para esse problema ecológico e econômico: Durante a impressão, o software faz pequenos buracos na letra; esses microfuros não são perceptíveis e não comprometem a legibilidade, mas podem levar a uma economia de até 50% de tinta em uma impressão. O software é pago, mas promete se pagar em economia de tinta.

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Incrível, não? Parte do trabalho de qualquer designer é se reconhecer como alguém participante desse processo de melhoria social constante, e não alheio a ele; mas às vezes nos esquecemos que pensar um design responsável, com funcionamento voltado para a sociedade, possa estar em ideias tão simples.

E você, o que achou desses projetos? Conhece algum outro que seja interessante? Comente aqui no post, ou na nossa página no Facebook  e contribua!

Referência

BONSIEPE, Gui. Design, cultura e sociedade. São Paulo: Blucher, 2011.

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